21 de maio, 19h, Livraria Cultura do Salvador Shopping.
“Um relato sufocante dos estertores de uma adolescência sem rumo”
(Daniel Galera, escritor)
Uma turma de adolescentes, que enfrenta pela primeira vez os limites que definem a periferia, as classes sociais e o começo da vida adulta, são as personagens dessa trama ousada e irreverente. O narrador, um rapaz sem nome que se autodefine como um zero à esquerda, está entre esses jovens que se aventuram nos últimos dias das férias do colégio por uma busca de sentido no futuro.
Tédio, álcool e falta de perspectivas se mostra uma mistura destrutiva e perigosa nas mãos de Davi Boaventura, que já na sua primeira novela literária se mostra capaz de tirar o fôlego dos leitores – jovens ou adultos. Por meio do bom uso da ambiguidade, ele deixa a todos imaginando e esperando, perplexos, as possibilidades de um incesto, um assassinato e muitas overdoses. Mas sem perder o foco de mostrar, de maneira reflexiva e ágil, os desafios e dificuldades de deixar a adolescência com tão pouca perspectiva pela frente.
Não é todo mundo que pode fazer aniversário no mesmo dia de Saddam Hussein. Assim como não é todo mundo que pode nascer no dia em que Benito Mussolini foi morto a tiros e exposto de cabeça para baixo em praça pública de Milão, junto de sua mulher, Clara Petacci, ou no dia em que o execrável Hitler casou com a não menos execrável Eva Braun, ou na mesma data em que Charles de Gaulle renunciou ao governo da França…
E o que dizer quando você descobre que nasceu no Dia da Sogra e no Dia da Caatinga?
Pelo menos, para desanuviar o ambiente, é dia também de Íris Bustamante (!), Penélope Cruz (!!) e Jessica Alba (!!!). E dia também São Luís de Montfort, um sacerdote francês que ficou famoso por ser escritor, o que vou considerar como um ótimo presságio profissional… Quem sabe, um dia, o Wikipedia coloque também nos nascimentos deste dia em 1986, ao lado de Guilherme Siqueira (futebolista brasileiro) e Keri Sable (atriz pornô norte-americana), Davi Boaventura (escritor e roteirista vilense)?
Datas históricas malucas à parte, é o dia que espero o ano todo para chegar e agradeço profundamente aos parabéns de todos que me parabenizaram, que Djah, Deus e Alá os paguem em dobro.
1 – Velhinho deixou cair 50 conto na rua. Correu atrás, não quis nem saber de trânsito. Os automóveis, pacientes, pararam. Mas cada vez que o velhinho se aproximava do dinheiro, coitado, o dinheiro voava desgovernado. Até que ele conseguiu pegar, vinte metros de carro lhe esperando. Ele virou e comemorou. Os motoristas todos aplaudiram, eu incluso. Festa-relâmpago na Estrada do Coco.
2 – Diário de um Jornalista Bêbado, nem bêbado vale à pena. Desligue o filme, vá ler o livro (Medo e Delírio sem as drogas).
3 – 23 de abril, ontem, Dia Mundial do Livro. Nem comentei com os camaradas, me perdoem, mas não foi esquecimento: estava comemorando a data em um sebo. Reservei um livro no Praia dos Livros. Mas cheguei lá e ninguém sabia dele. Mostraram-me outro exemplar, com um pequenino rasgão e rastro de etiqueta na capa. Entristeci, não vou mentir. Sentei na poltrona, tentando decidir se levava ou não. Não ia levar, minha imaculada microbiblioteca não merece ofensa igual! Então a atendente me aparece com meu exemplar: “ah, guardaram lá dentro”. Aliviei. No entanto, pergunto: precisava me fazer sofrer esse drama, meu deus?!?!?!
4 – Nada surpreendente: atendente de uma operadora telefônica, trabalhando no próprio balcão de sua empresa-empregadora, berrando com o call-center por não conseguir resolver problema com seu celular…
5 – Link Probidão: se tu, ao mesmo tempo, adoras procrastinar e viajas em capas de livro, eu não clicaria nem aqui, nem aqui, nem aqui.
Coisinha rápida porque o tempo hoje é curto e não posso deixar meu kibe cru esfriando no almoço.
Você sofre da combinação gastrite-refluxo? Se sofre, sabe quão ruim é – dor, azia, má digestão, sem falar na falta de ar, vômitos, etc., etc. Estômago em crise não tem respiração yoga-mediúnica que resolva, meu amigo.
Essa bendita acidez no estômago e esse maldito retorno alimentar via esofâgo me renderam inúmeros lamentos (primeiro pelas doenças em si, segundo porque nenhum médico acreditava que tenho, de fato, pouca sensibilidade ao sedativo, daí que fiz pelo menos duas endoscópias completamente acordado). Um sujeito me sugeriu até uma cirurgia emergencial, que eu, por impaciência, talvez por medo, não fiz.
Kurt Cobain também sofreu do problema. Provavelmente uma mistura de nervosismo, depressão, má alimentação, bebida e drogas, que ele, aconselhado sabe-se lá por qual guru, tentou tratar abarrotando o organismo de opiáceos, álcool e benzocancerígenos. Não funcionou, é óbvio. Dizem por aí que a dor do estômago foi uma das principais causas de sua piração. Considero uma teoria plausível.
Minha gastrite-refluxo, eu tratei, depois de abandonar o omeprazol, a domperidona e o pantoprazol, com um remédio do tempo da bisavó: o xarope de espinheira santa. Capaz até de ter sido placebo, vai saber. Mas funcionou. Tomei, três vezes ao dia, por dois meses, me curei.
Ou pelo menos curei aquela gastrite específica.
Porque, ultimamente, tenho voltado a apresentar sintomas. Estresse, é bem provável. E automático, penso na espinheira santa. E ao pensar nela, penso em Kurt Cobain. Se ele fosse brasileiro, talvez alguém lhe indicasse o divino medicamento. E, se ele tomasse, talvez seu estômago se sarasse, e talvez ele não pirasse, e, não-pirado, ele talvez não aumentasse as doses de heroína para suportar a dor justamente da gastrite, que no caso dele já se formava úlcera…
O xarope de espinheira santa poderia ter salvo o rock n´roll.
Oito de setembro de dois mil e quatro, eu, dezoito anos, deitado na cama, com uma caneta e um caderno, digo que vou escrever um livro. Pois é, sete anos e meio e este tal livro entalado na garganta. Não passei esse tempo todo escrevendo, é bom que se diga. Escrevi, parei, retomei, cortei, revisei, a versão final – que você, espero, vai ler -, ficou pronta há poucos meses, eu já com vinte e cinco anos.
Mas ainda tem muito do menino de dezoito lá. Aliás, é o menino de dezoito anos quem vai ser impresso em papel de gramatura encorpada e fonte especial para leitura. E o menino de dezoito anos, dentro do sujeito de vinte e cinco, está sorrindo bobo, bobo, bobo, extremamente bobo, agora que, depois de sete anos e meio sonhando acordado, faltam somente trinta dias para que ele possa ter finalmente suas páginas à mão.
Os sete anos e meio se arrastaram por uma eternidade. Esses trinta dias não vão durar nem uma semana.
Encontro o sujeito. Dezessete graus de miopia, gago, xinga pá caramba, trabalha esquecido em uma sala abarrotada de fitas VHS antigas. Converso, digo que estou lançando um livro (propaganda é a alma do negócio, meu amigo!), ele se empolga, revela ter três livros escritos, mas nunca publicados: dois de poemas, um de contos.
Me chama à sala, quer me mostrar uns textos, embora avise que “não é essa poesia comercial, não”. Beleza. Já fiquei com medo, não vou mentir.
Mas vou.
E o que é que encontro? Uma série de poesias ina-cre-di-tá-veis. Rapaz, profundidade total, linguagem rica, neologismos, rimas espetaculares, textos longos, meu mundo caiu (já diria Maysa). Passei quase uma hora lendo um texto atrás do outro na tela do pc – até roubei um, mas o dono me pediu para não mostrar a ninguém, então vou acatar – embasbaquei realmente.
Aí saio, entro no carro, hora do rush, engarrafamento, etc., estaciona do meu lado um meninão no Palio turbinado e o pau cantando. “Surubão, surubão, surubão é na palma da mão / surubão, surubão, vem fazer com o negão, surubão”… Porra, chega chorei de emoção, duas epifanias estéticas em uma mesma tarde foi demais para mim.
Aquele abraço para você que, como eu, assim que terminou uma postagem para seu blog, trancou o carro com a chave dentro! Pois é… Mas estava lá, a chave sonolenta na ignição, minha expressão de bobo do lado de fora.
O chaveiro levou 40 minutos para chegar, 20 segundos para abrir. Embolsou, na brincadeira, quarentinha de minha sofrida conta bancária. Quer dizer, como é a terceira vez que esta parvonice acontece, e todos meus salvadores da pátria cobraram este mesmo valor pelo resgate, lá se vão 120 conto, pai!
Dinheiro à parte, é uma situação tão vexatória que eu me lembro exatamente de cada detalhe das outras duas. A última, na frente do apartamento do fotógrafo Araujô, a culpa foi de uma pisada nas lembranças fedorentas de um ente canino – pisei e me estrepei; a primeira foi na comunidade vilense, em frente ao Condomínio Vertical, ainda na inexperiência de motorista em carteira provisória.
Cito o Condomínio Vertical porque foi ali também o cenário de outro desses deslizes traumáticos. Estava eu de carona com um glorioso amigo, indo visitar um terceiro. Conversa vai, conversa vem, descemos do automóvel e nos dirigíamos a portaria do local quando eu cometi o favor de derrubar o retrovisor do carro com um encontrão a 0,5 km por hora…
O carro era do tio de meu amigo, aparentemente gente boníssima, mas que, com certeza, não iria gostar nem um pouco do prejuízo. Então tomamos a ÚNICA decisão sensata cabível no momento: compramos um tubo de superbonder e, escondidos em uma ruela acesso à praia, colamos o equipamento. Pelo que eu sei, a artimanha suportou dois dias inteiros, ao final do qual a quebra do retrovisor terminou imputada a um flanelinha de rua. As cicatrizes do medo vivido naqueles angustiantes 27 minutos levados na Operação Cola Colorida persistem até hoje…
Briguei, beijei, viajei, nem sei quanto dinheiro se foi; mal dormi; não vi os dias passarem, era sempre alguma coisa pá fazer, era sempre alguém pá ver, trabalho, vida social, cultura, debate, etc., rotina atribulada: ou não – a verdade é que eu estava triste, tristinho, mas solitário que vilão de filme mexicano – nem gosto de falar, mas é (ou foi) assim:
Uma sexta-feira, depois de dias sem conversarmos direito, minha namorada pergunta se eu quero voltar – voltar do quê, a gente terminou? – terminou – quando? – terça-feira, ué – você não me avisou nada, eu digo – você é que é tonto, ela diz, não percebeu os sinais; ok, voltamos, ainda meio assim e eu ainda triste, tristinho, então não queria saber de escrever…
Mas agora é diferente!
Tenho ótimas notícias, ficar triste por quê? O livro que eu sempre quis muito, muito, muito, enfim tem data e horário para sair – não vou dizer que às 19h do dia 21 de maio de 2012, mas, eu sendo tu, não marcaria nada neste dia – então agora é Davizinho Paz & Amor, vamos parar com o estresse, vamos cortar essa sair xingando pelo mundo (hora até de pedir desculpas: coitadas, as atendentes de telemarketing, ouviram tanto… Se bem que…
Liga-me lá uma mulher, oferecendo Tv por assinatura, não, não quero, eu, nervoso, peço pr’ela me ligar depois, ao qual a mulher prontamente atende e realmente, com certeza, vai estar ligando depois – DOIS minutos depois!), pois, nos finalmentes, nada de xingar o mundo porque o mundo agora é nosso: nosso e da eterna dúvida de que “Talvez Não Tenha Criança no Céu”…
Não consigo imaginar título mais autoexplicativo. Mesmo assim explico, para não deixar dúvidas não respondidas.
Lá, no saudoso ano de 1993, eu, aos 7 anos, mal sabia o que era um gol, muito menos um impedimento. Diziam que eu era torcedor do Flamengo porque quase toda a família era, mas a verdade é que eu não estava nem aí. Uma bela terça-feira (pode ter sido uma quinta, não sei), um primo me disse de um tal jogo, com um time brasileiro, que aconteceria de madrugada e quem ganhasse seria campeão do mundo. E Davizinho aqui, no seu espírito rebelde infantil, resolveu que não iria dormir para assistir essa partida.
Pois o São Paulo, o tal time brazuca, pegou o Milan e sapecou. Fez o primeiro e tomou o empate, fez o segundo e tomou empate, e quando até Galvão Bueno já esperava a prorrogação, vem Cerezo, faz um lançamento milimétrico para achar Müller, que por sua vez está correndo, empurrando, Müller se embola, vai cair, Galvão se estrebucha no microfone, o goleiro rebate, Müller vira de costas e no mais improvável toque de bunda da história, faz o gol do título – pronto, eu me apaixonei pelo futebol.
A partir daí, meu caso amoroso futebolístico fica igual à trajetória de quase todo guri tupiniquim nascido nos anos 90. Fogos e mais fogos no Tetra, chororô em 98, Felipão traz a alegria de volta nos anos 2000, e então, você já adolescente, começa a descobrir os podres dos bastidores e dos cartolas, a paixão diminuí, as idas ao estádio também, etc., etc., etc., até que você vira um amante moderado, assiste seus joguinhos e tudo na paz.
Mas não acabou a história!
Porque ainda vem a parte da tristeza maior… Meses atrás, anos e anos em que eu acreditei ter sido a bunda de Müller a autora do gol, fui rever o lance, e, para meu lamento, só então percebi que o gol foi mesmo é de calcanhar, minha memória afetiva é que me traiu. Para piorar, no mesmo dia liguei a telinha e lá estava o sujeito, Müller, hoje comentarista de TV, depois de virar pastor, torrar sua fortuna em prazeres mundanos e morar de favor na casa de Pavão, lateral direito do São Paulo (!!!), lá está ele falando besteira em cima de besteira em cima de besteira: por que uma decepção tão forte, meu Deus?
Mesmo que tenha sido por um erro de observação anatômica, a bunda de Müller, que tanto me deu alegria naquele ano de 1993, merecia destino melhor. Se o sujeito tivesse me perguntado, eu certamente teria dado várias sugestões de uso para ela (tire a maldade do seu coração, minha frase é completamente eivada de inocência!)
Reveja o gol:
E compartilhe, é uma atividade glúteo-recompensadora:
Poesia sem rima
não arrisque, nem me anima.
Pois veja bem, minha menina:
há que se quebrar essa sina!
Hoje é dia da poesia, não posso ficar calado
e não quero que pensem que sou mal amado.
Talento, não tenho nenhum.
Mas poema ruim, por que não mais um?
Portanto vamos comemorar
Rime, rime você também, sem medo de se envergonhar.
Porque mesmo se terrível ficar
Pelo menos sua mãe ainda há de gostar!
(às vezes, se conforme, ela também mente, a verdade do mundo é essa).
(mas é só para te proteger, pô)